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DEPOIMENTO: ESPECIALISTA


A produção de habitações populares tornou-se um grande desafio nacional desde o final do século XVIII com a migração para os centros urbanos, acentuando-se após a abolição da escravatura. Com o surgimento das indústrias próximas das regiões populosas daquela época, o período da insuficiência de habitações cresceu em progressão geométrica. Hoje atinge cifras estrondosas. O conhecimento científico e técnico do processo de produção alcançado no país permite executar obras com boa qualidade construtiva e em velocidade para atender a demanda.

No entanto, a qualidade dos ambientes internos das habitações permite críticas justificadas. A opinião dos usuários, aquele que é considerado do “senhor para o qual devemos dar toda a nossa atenção” vem dizendo, há muito tempo, que não atendem às suas necessidades. Os estudos e avaliações das habitações também apontam para a pouca funcionalidade dos espaços internos das habitações. Invariavelmente reclamam dos espaços diminutos com pouca ou nenhuma privacidade. Concluem que o projeto não atende à realidade das pessoas, da família ou da comunidade. São projetos dissociados do consumidor.

Ademais, os recursos disponíveis frequentemente são destinados para viabilizar a maior quantidade de moradias possível de construir. Este modelo é utilizado desde o início das tentativas de “zerar” o déficit habitacional e fundamenta-se num conceito de que a habitação é um abrigo. Como as famílias que compõe este déficit de habitação são aquelas com renda familiar menor que três salários mínimos, elas não tem como rejeitar. O processo é longo e doloroso para estas pessoas: saem de casas auto-construídas, às vezes maiores do que esta “nova” casa, onde realmente terão de se “apertar” por algum tempo. Em breve “reformarão” a casa nova e surge assim a “favela institucionalizada”. Estas pessoas sabem antecipadamente onde aumentarão o conhecido “puxadinho”. É questão de tempo. Se não conseguirem, passarão o problema para outros em uma série sem fim.

Portanto, o projeto da moradia social, até o presente, despreza o importante aspecto de funcionalidade do espaço arquitetônico da habitação.

Uma das grandes dificuldades no âmbito do projeto de habitações é a escolha daquele projeto que atenda às necessidades do usuário. Isto se potencializa quando o projeto é para a habitação social. Constantemente os investidores têm de decidir sobre projetos diferentes e o julgamento restringe-se a aspectos quantitativos tais como tamanho da habitação, número de dormitórios, o custo e quantas serão construídas.

Outro grande obstáculo refere-se às preferências individuais, particulares no momento da escolha que envolve os representantes do governo, incorporadoras, construtores e projetistas. Todos colocam seus anseios e desejos pessoais no projeto da habitação. A escolha sobre as características dos espaços da habitação é o resultado desses interesses diversos e, via de regra, opostos onde o usuário tem pouquíssima interferência. Portanto as escolhas são muitíssimo influenciadas pela subjetividade dos gestores do processo.

Através do livro Avaliação de Projetos Habitacionais – Determinando a Funcionalidade da Moradia Social se conhece e compreende as origens sociais da habitação social no nosso país.

O minucioso estudo do déficit habitacional brasileiro nos coloca frente a frente com a nossa dura realidade social. Mas uma pergunta importante que o autor coloca – Para que serve uma casa? nos conduz aos meandros da influência que o espaço exerce sobre o Ser-Humano a ponto de concluirmos que o espaço é da sua própria essência. O espaço da casa dá sentido à vida e, sem dúvida, às relações sociais em que se insere. O processo de morar, de sentir-se em casa é muitíssimo influenciado pela dinâmica transformação social e podem ocorrer descompassos com o período do projeto.

Ainda sim, o Sistema funcionalidade.com permite ajustes para essas novas tendências de comportamento de uso da moradia através da constante atualização do seu banco de dados e pesquisa contínua sobre os hábitos de uso da habitação.

Considero oportuno o livro Avaliação de Projetos Habitacionais – Determinando a Funcionalidade da Moradia Social , pois alia-se ao processo criativo dos projetistas e objetivamente auxilia a tomada de decisão para a escolha do projeto habitacional.
Considero extremamente útil e valioso para as entidades voltadas para o fomento da habitação quais sejam o Governo, Instituições, Cooperativas Habitacionais e Investidores.

A ferramenta da funcionalidade.com permite examinar, simultaneamente, diversas alternativas de projeto de modo a vislumbrar a qualidade funcional dos ambientes e prever com antecedência o nível de atendimento às necessidades dos usuários das habitações projetadas.
Isto favorece ao lançamento de empreendimentos cujas características funcionais foram aferidas antes da sua construção, antecipando-se a informações e expectativas que seriam colhidas no futuro.


Prefácio de
Carlos Eduardo Cabanas
Arquiteto
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Diretor da Escola SENAI
“Orlando Lavieiro Ferraiuolo”/ SP
para o Livro Avaliação de Projetos Habitacionais - Determinando a Funcionalidade da Moradia Social


www.sp.senai.br

DEPOIMENTOS: ESPECIALISTA


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Roberto de Oliveira
Engenheiro Civil
Ph. D. Waterloo University, Canadá
Metodologia de Projetos Habitacionais
Professor da Universidade Federal de Santa Catarina Departamentos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo

Até o surgimento da Avaliação da Funcionalidade, a avaliação de projetos era altamente subjetiva. ... Com a Avaliação da Funcionalidade, agora temos um controle de qualidade ao nível de projeto.

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